L'ex-footballeur et entrepreneur Jimmy Adjovi-Boco avec Mohed Altrad.

Diambars: o futebol para ajudar os jovens senegaleses

TRADUZIDO POR UXIA GESTO PARDO E CORRIGIDO POR CATARINA ARANTES

A associação Diambars nasceu no ano 2000 da imaginação dos jogadores de futebol Jean-Marc Adjovi Bocco, Patrick Vieira e Bernard Lama. Presidida pelo empresário senegalês Saër Seck, esta empresa está destinada a ajudar os jovens com dificuldades utilizando o futebol como ferramenta.

Entrevista com Jean-Marc Adjovi Bocco, um dos sócios fundadores.

Artigo realizado com a colaboração de Lyon Bondy Blog.

Le Journal International: Bom dia Jean-Marc Adjovi Bocco. Você nasceu em Bénin. Por que você decidiu eleger Dakar e o Senegal para implantar a sua associação?

Jean-Marc Adjovi Bocco: Eu teria gostado muito de abrir a minha escola no Benim, mas a situação política faz este projeto impossível. As equipas nacionais foram excluídas das competições nacionais pela FIFA. Por conseguinte, é impossível nesta situação atrair investidores e pôr em marcha centros de formação. Mesmo tendo sido capitão da seleção, não tenho nenhuma influencia sobre a situação.

JI: O seu sócio Saër Seck, empresário, é o presidente da liga de futebol do Senegal e do seu clube. Qual é a relação que você tem com os dirigentes?

JMAB: Simplesmente uma relação de amizade, a anos-luz do que são hoje as suas funções. Nós não temos apoio econômico pela parte da liga.

« Utilizar o futebol como ferramenta de desenvolvimento social »

JI: Como vocês tiveram a ideia de criar uma associação que misturasse futebol e educação? 

JMAB: Quando eu era companheiro de equipe de Bernard [época 1991-1992 no Lens, ndlr], a gente falava bastante de utilizar o futebol como ferramenta de desenvolvimento social nos países desfavorecidos.

JI: Quanto tempo dura o acompanhamento destas crianças?

JMAB: Escolhemos as crianças quando têm treze anos baixo um critério estritamente desportivo. Num país como o Senegal, normalmente são crianças que moram na rua e especialmente mendigos. Diambars se diferencia dos centros de formação tradicionais porque acompanha aos bons alunos para que façam estudos superiores, mesmo se eles não são feitos para o futebol profissional. Assim, nós acolhemos um jovem duma escola corânica, apesar de que ele não sabia nem ler, nem falar em Frances.

JI: Onde está ele hoje?

JMAB: Hoje ele mora na França, onde ele obteve um BTS em sistemas digitais. Ele vai integrar uma escola de engenharia.

« Ajudar os jovens cujas famílias não podem sair adiante pelos seus próprios meios »

JI: Quais são as vossas exigências em relação a eles?

JMAB: Nós preparamos uma elite, não importa o meio social de onde os jovens venham. Além de bons jogadores de futebol, nós procuramos jovens que tenham uma atitude exemplaria fora do terreno de jogo e, sobretudo, que sejam muito trabalhadores.

JI: Qual é o investimento financeiro preciso para poder escolarizar uma criança durante um ano?  

JMAB: A associação tem 17 anos, eu trabalhei muito tempo sem ganhar dinheiro. Mais que o dinheiro, o que é importante é poder ajudar aos jovens cujas famílias não podem sair adiante pelos seus próprios meios. Num pais como o Senegal, o talento se encontra principalmente nas ruas, mas é necessário recrutar as crianças antes que o façam as máfias.

JI: Diambars começou no ano 2000. Depois de 17 anos de existência, qual é o balanço que vocês fazem no plano social?

JMAB: Nós temos hoje 85 trabalhadores e uma equipe de futebol profissional, que saiu do nosso centro de formação e que joga em primeira divisão. Com um orçamento de um milhão de euros por época, ganhamos o campeonato do Senegal há alguns anos e jogamos na liga de campeões africana.

« Alguns dos nossos jogadores fazem carreiras brilhantes »

JI: Quais são as vossas fontes de financiamento?

JMAB: O importante é não depender de subvenções e donativos. O interessante de ter uma equipe profissional é que nós nos financiamos graças ás transferências [um clube formador ganha uma quantidade pela transferência de cada um de seus jogadores ndlr]. Alguns jogadores que saíram da nossa equipe fazem carreiras brilhantes na Inglaterra, como Idrissa Gueye no Everton e Pape Souaré na equipe londrina Crystal Palace. Atualmente, a nossa equipe tem três jogadores internacionais.

JI: Além de Dakar, Diambars tem um centro em Johanesburgo. Vocês pensam em abrir novos centros?

JMAB: Eu não posso dizer nada com certeza, porque ainda não há nada feito. A pesar de tudo, estamos fazendo estudos de viabilidade para programar novos centros na Costa do Marfim e em Marrocos.

Imagem de cabeçalho: O ex-jogador de futebol e empresário Jean-Marc « Jimmy » Adjovi Bocco (direita) com Mohed Altrad (esquerda). Creditos DR.

 

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