Capture d'écran tirée du film. Crédit DR.

Faster, Pussycat! Kill! Kill!

TRADUZIDO POR LISETE FERNANDES E CORRIGIDO POR CATARINA ARANTES

Faster, Pussycat! Kill! Kill! E uma longa metragem a preto e branco do realisador americano Russ Meyer. Um título explosivo que situa o tom inicial: um filme elétrico e agitado onde o sexo e a violência se cruzam. O filme conta a história de três supermulheres em busca do absoluto. À procura de emoções fortes, Varla, Rosie e Billie lançam-se pelas estradas ao volante de seus carros velozes. É a história de uma viagem de carro.

Uma das atrações do filme é o seu elenco. Idealizado para agradar aos homens, que desafia bem mais o patriarcado do que se pode pensar: 3 supermulheres em um mundo de homens.

L'affiche du film. Crédit DR.

Poster do filme. Crédito DR.

Um elenco sexy

Barbarella Catton, também conhecida por “Haji” era uma atriz e stripper canadense. Ao seu lado, Tura Sarana desempenha o papel de Varla, a líder deste trio infernal. Uma especialista em habilidades de artes marciais e karate e aikido se irão provar ser um recurso útil durante a filmagem do filme. A última das três gatinhas é uma loira ninfomaníaca interpretada por Lori Williams.

O mínimo que podemos dizer, é que as gatinhas têm um forte poder de sedução. Mas a escolha do elenco, está longe de ser um acaso. Russ Meyer é conhecido por sua propensão para seios extremamente grandes. Embora este fetichismo possa ser levado para um culto de mulheres que são vistas como objetos, estas gatinhas são mais do que apenas simples bimbas.

Receção do filme

Este elenco atraente não permitiu que o filme alcançasse o sucesso desejado. Aquando do seu lançamento em 1966, Faster, Pussycat! Kill! Kill! é um fracasso tanto a crítica como a nível comercial. O filme enfrenta uma audiência que, embora esteja habituada a filmes de Russ Meyer, fica desapontada de não poder enxugar os olhos sem sentir algum desconforto face o carisma das gatinhas. As críticas surgem. Este falhanço é bastante revelador do clima social da época. Numa altura em que as mulheres estavam apenas a começar a reivindicar a igualdade e emancipação sexual, é fácil de imaginar que a visão destas senhoras sexualmente livres e dotadas de uma força sobre-humana que poderia causar fortes reações junto do público.

Faster, Pussycat! Kill! Kill! Só irá ganhar mais tarde uma aclamação. Em 1981, o famoso diretor americano John Waters escreveu na sua autobiografia Shock Value: A Tasteful Book About Bad Taste (Shock Value: um livro de bom gosto sobre mau gosto), que este era o melhor filme do mundo. Esta pequena jóia do cinema conquistou ainda o coração do público e elevou-se à categoria de um “filme culto”. O relançamento da música “Faster Pussycat,” proveniente da trilha sonora original do filme, por uma banda de rock americana The Cramps acabou por estabelecer a reputação da obra prima de Meyer.

É aliás, com essa música que o filme começa: filmado sem contra-indicações, as três heroínas fazem a sua viagem a todo o vapor através do deserto.

Fotografia do cartaz: captura do ecrã retirado do filme. Crédito DR.

 

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