Le centre-ville de Tallinn. Crédit Camille Simonet.

Estónia, um país vanguardista na igualdade entre o homem e a mulher?

TRADUZIDO POR MARIA GABRIELA CÓ E JÉSSICA RIBEIRO DA SILVA

A Estónia é, aparentemente, um país muito moderno no que toca à igualdade de género. No entanto, as desigualdades profissionais e sociais persistem.

No último 8 de março, celebrámos o Dia Internacional da Mulher. Na Estónia, tudo, ou quase tudo, leva a crer que esta luta não se justifica. “É verdade que, na Estónia, não me parece que seja algo pelo qual precisemos de lutar, enquanto temos de o fazer na maioria dos outros países”, confirma Liis Kuuli, estudante estónia do primeiro ano na Universidade de Tallinn. “No dia-a-dia não noto desigualdades particulares. Depois, num contexto mais profissional, há vezes em que os homens te olham de cima para baixo porque és uma mulher, mas está longe de ser algo frequente”, explica ela.

Uma particularidade que poderia explicar-se com a história da Estónia, segundo Kristian Taal, outra jovem estudante da Universidade Tallinn. “Quando a Estónia estava sob o poder da URSS, as mulheres tiveram de fazer muitas coisas sem os homens, porque os mesmos eram por vezes mobilizados pela Russia. Elas trabalharam no lugar deles, tomaram decisões importantes. Portanto, agora, de cada vez que um homem se permite fazer uma piada sexista sobre as mulheres, o que é bastante raro, toda a gente o olha de lado”.

O assédio na rua pouco frequente

O assédio na rua, bastante criticado na Europa ocidental, parece bem menos presente na Estónia. “Eu tive a chance de ir a França várias vezes. Pude reparar que o assédio na rua em França era muito problemático. Ora, aqui não é o caso, porque os homens estónios são mais tímidos”, confirma Liis Kuli acerca da questão. O mesmo pensa Ingrid Hinojosa, responsável das relações internacionais: “isso acontece pouco na Estónia. Não é propriamente essa a mentalidade dos homens estónios, eles são mais contidos, menos quando estão bêbados. De qualquer forma, não passam os limites e não é nada de perturbador”.

Chloé Magdeleine, jovem estudante francesa, acabada de chegar a Tallinn no fim de janeiro, rapidamente notou a diferença. “Em Paris, os comentários são diários. Já fui seguida até minha casa e insultada quando rejeitei as provocações. Assobiam-te, fazem-te comentários horrorosos. Enquanto desde que estou em Tallin, acontece ter de voltar tarde para casa, e nunca ouvi um só comentário. O mesmo se passa quando ando na rua, ninguém me seguiu ou se voltou para trás.

A violência doméstica é um assunto polémico na Estónia

Durante o seu primeiro discurso de independência enquanto Presidente da Estónia, Kersti Kaljulaid evocou com brevidade o problema da violência doméstica. “Enquanto as atitudes não mudarem, prometo não parar de falar de tal. Se as pessoas estiverem protegidas no seio do seu lar, nós estaremos também mais protegidos da violência nas estradas e da violência injustificada em espaços públicos. Espero que daqui a cinco anos seja impensável ignorar tais incidentes”.

Este discurso, pronunciado num dia importante para a história da Estónia, faz eco à proposta de lei do parlamento russo, que visa despenalizar a violência conjugal na Rússia. Um momento simbólico que assinala, portanto, o empenho da Presidente estónia contra uma violência doméstica, cujo estatuto nem sempre é claro. “Não existe realmente uma lei que criminalize a violência doméstica na Estónia. Esta está apenas incluída numa outra lei sobre a violência contra as pessoas, com como tipo de sentenças de ordens de restrição, temporárias ou não. Na verdade, de forma geral, tudo o que se passa no seio do lar não é muito vigiado. E essa falta de clareza por parte da lei, não ajuda verdadeiramente a resolver a situação”, confirma Ingrid Hinojosa.

As desigualdades permanecem atuais

A igualdade entre homens e mulheres ainda está longe de ser alcançada. As desigualdades não estão só nos seios familiares, mas também no mundo do trabalho. As mulheres estónias teriam um salário de 30 a 40% mais baixo que um homem, pelo mesmo trabalho.

Para Ingrid Hinojosa, o aspeto mais evidente não é a diferença de salários. “Não é que haja necessariamente uma diferença de salários entre uma mulher e um homem que tenham o mesmo trabalho, mas antes que as mulheres têm tendência a obter trabalhos menos bem pagos do que aqueles que os homens obtêm”. É uma particularidade que Ingrid pôde observar no seu meio de trabalho, na educação. “Há mais mulheres no mundo do ensino que homens. Contudo, o salário de un professor é muito baixo”. A Estónia tem ainda esforços a fazer antes de chegar a uma igualdade de géneros efetiva.

Foto de capa: o centro da cidade de Tallinn. Crédito Camille Simonet

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