O País de Gales festeja o santo padroeiro

TRADUZIDO POR CATARINA ARANTES GOMES DA SILVA E JÉSSICA RIBEIRO DA SILVA

Amanhã, primeiro de março, os galeses festejam o santo padroeiro David. Este dia de património, que não é feriado, é celebrado de forma curiosa. Le Journal International leva-vos à descoberta deste evento que é mais discreto que festivo.

O programa desta quarta-feira é pesado para os galeses. Um desfile nacional começará às 12h30 no centro da cidade de Cardiff, assim como nas outras cidades. Concertos e competições  desportivas estão previstos em numerosas escolas e colégios. O programa nacional também inclui – entre outros – um concerto da Orquestra nacional galesa no St. David’s Hall em Cardiff, a entrada gratuita em castelos como o de Raglan e o de Tintern, e um mercado que angaria fundos para a cegueira na aldeia de Usk. Estas atividades existem para comemorar a nascença e a morte do monge santo David. Promovendo a paz e o amor no seu reino, conseguiu o título de santo padroeiro do principado britânico.

As lendas de São Jorge na Inglaterra e de São Patrício na Irlanda vêm de histórias épicas. O primeiro mata um dragão; o segundo, escravo libertado, caça as cobras do país. A de São David é bem diferente. Monge piedoso, relembrando por vezes Jesus, viveu no século VI. Foi responsável pela construção de cerca de 60 mosteiros. No seu próprio mosteiro, vigiava rigorosamente para que os seus monges só comessem o pão e as ervas. A carne e o álcool eram proibidos. Conhecido por fazer vários milagres incríveis, a lenda conta em particular que uma colina se formou debaixo dos seus pés para que ele pudesse dirigir-se a uma multidão e curasse um homem cego.

Uma comemoração simples

O primeiro de março não é tão difundido como o festival  de São  Patrício, comemorado a nível mundial. Mas a nível nacional, os galeses respeitam as tradições e exprimem o seu orgulho. É costume usar um junquilho ou um alho-na camisola. Segundo a lenda, David pede aos soldados galeses para usarem um alho-porro nos seus capacetes, para se distinguirem dos ingleses durantes as batalhas. As crianças pequenas vestem os trajes tradicionais: vestidos vermelhos ou camisolas de râguebi. Cada escola e colégio dá aos alunos a oportunidade de mostrar os seus talentos musicais e dramatúrgicos. Toda a gente, ou quase, canta o hino nacional, apesar de menos de 20% dos galeses falarem a língua céltica local.

Junquilho, emblema do festival. Crédito CC0.

Apesar dos esforços de alunos, professores e indústria do divertimento, esta data não é um feriado. Uma questão política que põe em causa o valor do património galês. Lembre-se que o dia patriótico inglês também não é um feriado. Os da Irlanda do Norte e da Escócia são, por outro lado, mais especiais. Em 2007, uma  sondagem concluiu que 87% dos galeses queria que o dia se tornasse feriado. Uma petição foi feita a seguir, antes de ser rejeitada por Tony Blair. Apesar de tudo, isto revela um sentimento patriótico nos galeses.

“Esqueci-me que  este dia se comemorava.”

Simon Owens é originário do País de Gales. Estuda agora em Inglaterra mas fala galês como se fosse a sua língua materna. Confidenciou-se ao Journal International. “Tinha-me completamente esquecido que se fazia esta comemoração, é horroroso. Penso que é um dia patriótico e globalmente é uma boa ocasião para celebrar o talento e o sucesso dos galeses”. Outros expatriados não se esqueceram e festejam cada ano o seu santo padroeiro  em todo o mundo. Para Simon, a comemoração também tem um aspeto político importante. “Há que ser orgulhoso da nossa sociedade multicultural e em desenvolvimento neste período de divisão.”

A simplicidade do primeiro de março põe em causa a identidade galesa? Não exatamente. Os  galeses não estão política, económica e historicamente assim tão separados dos ingleses como os escoceses e os irlandeses. Uma grande comemoração não parece ser necessária para a população, feliz de partilhar um momento simples e convivial.

Foto de  capa: crédito CC0.

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