Síria: “Minha escola foi bombardeada”

TRADUZIDO POR SARAH MANIERKA

Enquanto numerosas personalidades politicas estão debatendo sobre as diferentes perspectivas do conflito sírio, o direito de falar é raramente dado a população síria. O Jornal Internacional foi a encontra de um casal de refugiados sírios que viveram no coração do conflito por mais de quatro anos.

Aycha (o nome foi mudado) e seu marido chegaram na França durante o verão 2015. Apesar das dificuldades de falar sobre o que passaram, os dois aceitaram testemunhar sob uma condiçãoque seu anonimato fosse protegido 

“HAVIA ESPIÕES DO GOVERNO PRA TODO LADO”

Aycha explica que antes de 2011, a vida na Síria era “normal”. “Não podíamos conversar ou agir com liberdade, mais tínhamos o direito de ir ao trabalho, a universidade e escola. Podíamos ir em qualquer lugar mais haviam restrições . Em 2011, a primavera árabe atinge o país : a revolução surge. Os sírios saem nas ruas e manifestam pela liberdade. 

As autoridades começam então a por em detenção as pessoas. “Sempre tinhámos que tomar muito cuidado, haviam espiões do governo pra todo lado”, explica Aycha. A tensão sobe então no país e poucas palavras já bastam para ser detido na prisão ou torturado. 

Já que as reivindicações não cessavam, o exercito toma a decisão de reprimir os manifestantes com armas. Segundo Aycha, os manifestantes continuaram a protestar pacificamente por um ano , mas em seguida, se equiparam com armas também. “ Era para se defender. Eu penso que é justo”, declara a jovem mulher, antes de acrescentar que ela odeia a violência. “ O que vocês fariam se o seu irmão fosse colocado na prisão só porque reclamou que queria mais liberdades?”

O ACESSO A EDUCAÇÃO

Um problema importante mas pouco evocado é o problema da educação. Desde 2012, varias escolas foram destruídas ou convertidas em bases militares. Três anos depois, muitas crianças sírias não sabem ler nem escrever. A associação Humanium nos alerta sobre o risco de “geração perdida”, a educação parece mas um luxo que uma prioridade. 

Aycha era professora de inglês numa escola. O problema da educação a inclui diretamente. Apos tiroteios, a escola aonde ela trabalhava foi destruída. Ela conta : “eles (NDLR: As forças militares d’Al-Assad) bombardearam a escola porque suspeitavam que opositores se escondiam la dentro.

Crédits : Freedom House

Crédits : Freedom House

Mas eles não sabiam nada. Não sabiam se eram adversários ou cidadãs. . […] Haviam crianças e professores. Duas crianças morreram. Eu falei para as crianças irem embora porque os aviões militares ainda estavam no céu. Eles não me davam ouvidos. Eles estavam terrorizados.” Ela tenta nos detalhar o que seguiu a explosão, a “coluna de fumaça”, a confusão “ nós nem sabíamos aonde a arma tinha explodido exatamente” . Uma situação “indescritível a descrever para alguém que não passou por isso”.

“Isso acontecia quase todos os dias, nos explica Aycha. Eu não decidi deixar a Síria porque vivi situações horríveis e nem por causa dos bombardeamentos. Minha escola foi bombardeada. Eu queria um emprego.”

“HOJE EM DIA, O POVO SÍRIO TEM DOIS INIMIGOS”

Quando a interrogamos sobre o papel que o Ocidente deveria ter no conflito, ela responde sem nenhuma duvida; “Primeiramente, devemos parar o governo d’Al-Assad. Somente o governo, porque muitas pessoas são obrigadas a se juntar ao exercito. Elas não têm culpa”

Abordamos logo em seguida as controvérsias ligadas a um potencial de “inversão” d’Al-Assad, incluindo o risco de eliminar um adversário consequente do Estado Islâmico. “Eu não sou uma mulher política” nos relembra a professora , que esta em estado de choque com esta situação.

Crédits : Freedom House

Crédits : Freedom House

Em seguida, Aycha recusou falar sobre a viagem até a Europa. Ela não se sente capaz o suficiente para evocar essas lembranças traumatizantes e ainda recentes. Hoje , ela e o marido moram na França e estão aguardando uma resposta para o pedido de asilo. Enquanto ele está a procura de um emprego, ela tenta aprender o francês. Os dois desejam a paz na Síria para poder voltar para casa o mais rápido possível.  

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