Des bottes militaires dans le Tibesti, au nord du Tchad. CC0 Public Domain.

Chad: modelo de estabilidade vulnerável?

TRADUZIDO POR STEPHANIE SOARES E MAYCA FERNANDES SANTOS

A reeleição do presidente Deby para seu quinto mandato consecutivo como chefe do Chade parece um indicativo de estabilidade para o país, sem litoral numa área marcada pela instabilidade política. Mas muitos problemas, que afetam desigualmente as regiões ameaçam essa estabilidade.

Em abril de 2016, Idriss Deby Itno foi eleito pela 5ª vez chefe do Chad. Com uma participação de mais de 75%, a eleição poderia ser considerada como um sucesso. O presidente cessante ganhou 61,56% dos votos no primeiro turno, contra 88% na eleição anterior. Ele será chefe de estado por pelo menos mais cinco anos.

Os resultados não deixam de suscitar protestos, rapidamente calados. O país teve apenas quatro presidentes em 60 anos de existência. Nenhum deles pode gabar-se de ter conduzido um sistema democrático, todos baseados em uma estrutura militar forte. Esta última característica é especialmente verdadeira atualmente, com o contexto dos problemas de segurança nos países vizinhos: Níger, Líbia, Nigéria, Camarões, República Central Africana, Sudão e Sudão do Sul.

Um pilar para o Ocidente

Chad impôs-se internacionalmente como um país estável. Ele foi um pilar sobre o qual o Ocidente podia contar para estabilizar a região, especialmente na luta contra Boko Haram. Durante a intervenção das Nações Unidas no Mali, as tropas do Chad revelaram-se tão talentosas que o quartel-general da operação francesa da Barkhane [lutando contra as redes salafistas, ndr] foi instalado em Ndjamena.Esta imagem de potência continental esconde uma situação económica catastrófica. A queda do curso dos preços do petróleo afetou a decolagem econômica que começou desde a exploração de jazidas em 2003. Em 2015, é o terceiro país menos bem classificado no IDH. O tecido económico do país é baseado essencialmente na agricultura. O setor representa 55% do PIB e emprega 80% da população. Mas, a excepção do gado e da goma arábica, é essencialmente de culturas alimentares.

Por mais de um século, Chad passou por muitas crises alimentares. Isso lhe rendeu o apelido de “coração morto da África”. As mais recente encontrão as suas origens nos vastos movimentos de rebelião ou nas baixas pluviosidades. Além disso, os anos-safras 2009-2010 e 2011-2012 foram desastrosos, especialmente no cinturão do Sahel do país.

Das áreas vulneráveis ​​abandonadas pelas Organizações Não-Governamentais

A instabilidade nos países vizinhos não foi sem consequências para o país. Ela acolhe desde os últimos dez anos um número crescente de refugiados, principalmente sudaneses e centro-africanos. Fim de 2015, o número de pessoas assistidas pelo ACNUR no Chade atingiu 500 000. O contexto regional dá algum peso para o país geopoliticamente e fez dele um país muito visado por organismos humanitários. Os arrendadores estão cada vez mais expressivos no fato de que a ajuda ao desenvolvimento deve, acima de tudo, permitir de lutar contra o terrorismo e a migração. As regiões mais afetadas por fluxos de refugiados são as regiões fronteiriças da Centro Africa, ao Nigéria e ao Sudão Elas nem sempre são as mais afetadas pela produção insuficiente de alimentos.

As regiões não-fronteiriças, onde as necessidades são muitas vezes mais importantes, vêem as ONGs partirem umas após das outras. Os doadores e as mídias acreditam que a prioridade não se situa ai. Se o cuidado de refugiados é urgente, este delineamento arbitrário de áreas prioritárias corre o risco de marginalizar as regiões estruturalmente vulneráveis.

Foto de capa: botas militares em Tibesti, no norte do Tchad. CC0 Public Domain.

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